quinta-feira, 24 de abril de 2014

  • As noites
    Ecoa a voz sofrida,profunda e rouca;Uma turma ébria desce a rua de pedras,cantando alegremente,festejando a loucura,a lua cheia clareia os campos que margeiam a cidade.
    Os justos dominam os dias ,mas durante a noite,os ímpios dominam as trevas,a obra dos maus é executada nas trevas;na varanda de um apartamento de paredes descascadas,um triste homem desarrumado,solta baforadas ao ar,aprecia seu cigarro barato,após apreciar o cigarro,joga o que restou no telhado do vizinho.
    O cão do vizinho ladra alto,seus gritos são correspondidos por outros cães,late de pavor,passos os despertam,os cães sarnentos insistem desconfiados e receosos do mal,toda figura se torna ameaçadora na calada da noite.Nos quartos o calor da paixão inflama,em outros a solidão de uma cama vazia,a TV ligada e alguém dormindo na poltrona em frente.
    Em um beco escuro ocorre a violência,uma universitária é violentada por um diabo,típico vagabundo e filho das noites,outros corpos morrem ,a luz se apaga.
    Uma viúva acorda assustada e suada,um pesadelo a atormentara,ela pega com força o terço,até sua mão ficar vermelha,reza murmurando a Jesus,mas a dor prevalece,suplica na penumbra do quarto.
    No meio do mar,dois pescadores olham admirados a imensidão do infinito,o céu com todas as estrelas,galáxias e constelações,se espantam com a grandeza do que não se pode compreender.
    Nos cemitérios clandestinos espectros clamam justiça,no pobre barraco o sono e a água se tornam o alívio dos que nada provaram,nem precisam orar para agradecer o pão de cada dia;na sarjeta um mendigo irrequieto,torturado pelo frio da noite.

Nenhum comentário:

Postar um comentário