quinta-feira, 24 de abril de 2014

  • Sepulta-me no peito
    Enterra-me ó magro coveiro!
    Fere o solo com tua pá,finca tua pá sobre a terra fofa,calcula sete palmos,já ouço as preces esperançosas de lábios trêmulos,de olhos piedosos,já vejo as flores sem perfume,vejo a vida murchar,o murmúrio das preces,os óculos escuros que estampam no reflexo o caixão sendo baixado,velas queimam chorosas,o sol cai lento,morre no horizonte melancólico.
    Depressa coveiro!Cubra-me de terra,neste mundo só sofri!Meu mausoléu engolirá o que o mundo cuspiu e vomitou enojado,minha vida,esta ferida a respirar! Chaga incurável!Que eu não seja lembrado,enterrem-me em seus cérebros!
    Sepulta-me no peito morena linda!Pertenço ao Inferno,e sempre pertenci às trevas exteriores onde há choro e ranger de dentes,esqueçam homenagens póstumas para aquele que em vida sempre foi desprezado por todos que sempre e muito amou,não é no céu meu lar,é na sepultura que quero estar.

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